O que conferir antes de comprar um carro usado: o roteiro das três perguntas
Em vez de decorar uma lista de siglas, organize a checagem em três perguntas. É assim que um laudo veicular deve ser lido.
Equipe Radar Car 6 min de leitura
Resposta rápida
Antes de comprar um carro usado, responda três perguntas: algo impede a transferência (roubo, gravame, bloqueio judicial)? Existe dívida que vai ficar com você (IPVA, multas)? Existe histórico que derruba o preço (leilão, sinistro)?
Comprar carro usado tem um problema de assimetria: o vendedor conhece a história do carro e você não. A consulta veicular existe para diminuir essa diferença.
Só que um relatório cheio de siglas não ajuda muito se você não souber o que perguntar a ele. Um jeito simples de organizar é em três perguntas.
1. Alguma coisa impede o carro de passar para o meu nome?
É a pergunta mais importante, porque o problema aqui não é de preço: é de conseguir ou não ser dono do carro.
- Roubo e furto. Se há alerta ativo, o carro não deveria estar à venda.
- Gravame. É o registro de financiamento ou alienação. Com gravame ativo, o carro ainda está vinculado a quem financiou.
- Bloqueio judicial (Renajud). Uma ordem da Justiça pode impedir a transferência, a circulação ou os dois.
- Outras restrições. Administrativas ou tributárias.
Se qualquer um desses aparecer, a conversa muda: antes de falar em preço, o vendedor precisa mostrar como vai resolver.
2. Vou herdar alguma dívida?
Débito de veículo acompanha o veículo. Se você comprar um carro com IPVA atrasado, a cobrança continua atrelada a ele.
- IPVA em aberto.
- Licenciamento atrasado.
- Multas ainda não pagas.
Aqui a solução é simples e negociável: ou o vendedor quita antes, ou o valor sai do preço. O que não pode é descobrir depois.
3. O carro vale o que estão pedindo?
Essas informações não impedem a compra, mas mudam o valor justo.
- Passagem por leilão. Costuma reduzir o valor de revenda.
- Indício de sinistro. Pesa no seguro e na revenda.
- Tabela FIPE. É a referência de mercado para comparar com o anúncio.
Um carro com leilão e sinistro, anunciado no preço de FIPE, está caro. O mesmo carro com um desconto coerente pode ser um bom negócio para quem sabe o que está comprando.
O que a consulta não responde
Vale ser direto sobre os limites:
- O estado mecânico e estrutural. Isso é com a vistoria presencial e, de preferência, um mecânico de confiança.
- O que nunca foi registrado. Um reparo feito por conta própria, sem seguro, não aparece em base nenhuma.
- Fonte fora do ar. Às vezes uma base não responde na hora. Um bom laudo diz qual foi, em vez de deixar o campo em branco.
Na prática
- Consulte antes de ir ver o carro. Se aparecer algo grave, você economiza a viagem.
- Leve o laudo. Com ele na mão, a negociação é sobre fatos.
- Se estiver tudo certo nos dados, aí sim faça a vistoria presencial.
- Só então dê o sinal.
A ordem importa: a consulta custa pouco e elimina os piores casos antes de você gastar tempo e dinheiro com o resto.
Perguntas frequentes
- Qual a primeira coisa a conferir em um carro usado?
- Se existe algo que impede a transferência: alerta de roubo e furto, gravame ou bloqueio judicial. Se houver, nem adianta negociar preço.
- Consulta pela placa substitui a vistoria?
- Não. A consulta mostra registros; a vistoria presencial mostra o estado real do carro. As duas se completam.